Depois de termos falado do tema “rigidez” – um tema que quase descambou por caminhos menos próprios, vamos hoje falar sobre o sistema de comando de válvulas variável, mas antes de mais, o que é um comando de válvulas?
O comando de válvulas não é mais do que um eixo formado por ressaltos excêntricos, também chamados de cames, localizados na “cabeça do motor”, com a finalidade de empurrar e, consequentemente abrir as válvulas de admissão e escape, com o intuito de fazer entrar e deixar sair os gases que dão origem à combustão e que da combustão resultam. Este eixo é ligado à cambota (eixo do motor que transmite movimento às restante partes mecânicas do motor) e pode ser comandado por correias, correntes ou hastes.
Dito isto, no que consiste o comando de válvulas variável? Consiste num sistema que permite a variação no tempo e no curso das válvulas.
Antes, com o comando simples (não variável, de que falávamos à pouco), as válvulas abriam sempre da mesma forma, independente da rotação. Devido a esse factor, os construtores quando desenvolviam um novo motor tinham logo à partida de optar pelo tipo de motor que queriam construir: um motor potente ou um motor económico.
Isto porque num motor em que se optasse por uma abertura mais pronunciada da válvula de admissão, sucede que o motor teria ganhos ao nível da performance, mas por outro lado aumentava os consumos na medida. Porque deixava entrar uma maior quantidade de ar e de gasolina para dentro da câmara de combustão, mesmo com um motor em pouca carga. Já num motor, em que os engenheiros optassem por um comando de abertura mais preocupado com os consumos, o comando da válvula teria portanto um tempo de abertura mais curto e menos pronunciado, e por conseguinte uma menor capacidade de “respirar” a altas rotações.
Mas humanidade “pula e avança”, e depressa os engenheiros criaram um sistema de comando variável das válvulas que permitia que as válvulas fossem abertas de acordo com a necessidade. Em baixas rotações escolhe-se a configuração de abertura de válvulas mais apropriada para um menor consumo. Em rotações elevadas opta-se por uma abertura que favoreça a performance em detrimento da economia. Um dos sistemas mais conhecidos pelos amantes dos automóveis é o sistema VTEC da Honda:
Neste vídeo, assistiram à forma como o sistema VTEC funciona. Mas na prática deixem-nos mostrar-vos nos vídeos mais abaixo, imagens onde se pode assistir ao grau de exigência e stress a que estas peças estão sujeitas. Em causa está um motor de uma mota da BMW, mas o funcionamento é em tudo similar a um automóvel, a menos rotações claro:
Visto através da câmara de combustão:
Imagens reais de um motor em funcionamento: Espero que tenhas gostado. Caso tenhas ficado com dúvidas ou tenhas sugestões a fazer contacta-nos através dos nossos e-mail’s ou via Facebook.
Texto: Guilherme Ferreira da Costa









