São 70 anos de altos e baixos, durante os quais a Lotus Cars conheceu os períodos mais díspares, desde a fama trazida pela competição, até às dificuldades financeiras que obrigaram a companhia a permanecer numa espécie de limbo. Correndo mesmo o risco de fechar portas, devido à falta de dinheiro.
No entanto e após três anos de saneamento financeiro levado a cabo com a entrada em cena do luxemburguês Jean-Marc Gales, em 2014 (deixou o cargo em junho de 2018), com o consequente regresso aos lucros em 2017, a Lotus atinge os 70 anos de vida em melhor forma que nunca. Devidamente assinalado agora, com um vídeo, tendo como protagonistas dois dos modelos mais populares da marca de Hethel: o Exige e o Evora 410 Sport.
Conduzidos por dois funcionários da empresa, os dois desportivos dedicaram-se a inscrever, no piso da pista de testes do construtor e recorrendo para tal à borracha dos pneus, o número 70. Para o qual e segundo também reconhece a Lotus, foram precisos mais do que alguns sets de pneus.
VÊ TAMBÉM: Lotus Omega (1990). A berlina que comia BMW’s ao pequeno-almoçoEsta é uma celebração alegre e irreverente que ainda continua a destacar o génio do seu fundador, Colin Chapman. Em 1948, Chapman construiu o seu primeiro carro de competição numa pequena garagem de Londres, seguindo as suas próprias teorias para evolução da performance. Fundou a Lotus Engineering em 1952, data a partir da qual a companhia nunca deixou de inovar em engenharia, tanto nos carros de estrada, como nos de competição. Ao transformar a própria natureza e propósito do design automóvel, Chapman esteve na vanguarda de uma nova forma de pensar, com os seus conceitos a mostrarem-se tão relevantes hoje, como há 70 anos.
Comunicado da Lotus Cars
Um passado atribulado
Apesar do ambiente de festa em que se encontra neste momento, a verdade é que não foram 70 anos fáceis. Devido às dificuldades financeiras, acabou mesmo “engolida”, em 1986, pela General Motors.
No entanto, a gestão americana não se manteria durante muito tempo e, apenas sete anos depois, em 1993, a Lotus seria vendida à A.C.B.N. Holdings S.A. do Luxemburgo. Holding controlada pelo italiano Romano Artioli, que então já detinha a Bugatti Automobili SpA, e que seria também o principal responsável pelo lançamento do Lotus Elise.
Contudo, o acentuar das dificuldades financeiras da companhia acabou por conduzir a nova mudança de mãos, com a venda da Lotus, em 1996, à malaia Proton. A qual, após um plano de saneamento financeiro levado a cabo nos últimos anos, optou por vender, em 2017, o pequeno fabricante de desportivos britânico, aos já donos da Volvo, os chineses da Geely.
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Embora recente, a entrada do grupo automóvel chinês promete, no entanto, funcionar como um importante balão de oxigénio para a Lotus Cars. Desde logo, porque a Geely veio já anunciar que está na disposição de investir 1,5 mil milhões de libras, mais de 1,6 mil milhões de euros, na marca de Hethel, de forma a fazer da Lotus um dos big players entre os fabricantes mundiais de desportivos.
Da estratégia já definida, faz parte, segundo a britânica Autocar, um aumento da participação acionista da Geely na Lotus, para além dos atuais 51%. Algo que, no entanto, só será possível através da compra de ações ao parceiro malaio, Etika Automotive.
Ao mesmo tempo, a Geely tem previsto construir um novo centro de design e inovação em Hethel, sede da Lotus, assim como a contratação de mais 200 engenheiros. Os quais poderão então dar o seu apoio à nova fábrica que o grupo chinês também admite construir, nas Midlands, assim que as vendas da Lotus começarem a crescer.
Quanto ao fato da Geely já ter admitido a construção de uma nova fábrica na China, para dar apoio à comercialização de carros da Lotus com destino aos mercados do Oriente, Li Shufu, chairman do Zhejiang Geely Holding Group Co. Ltd, desvaloriza, defendendo a manutenção da marca, em solo britânico.
Vamos continuar a fazer aquilo que já fizemos na Companhia de Táxis de Londres: engenharia britânica, design britânico, fabrico britânico. Não vemos qualquer razão para transferir 50 anos de experiência combinada, para a China; há que deixá-los [à Lotus Cars] fazer aquilo que fazem de melhor, na Grã-Bretanha.
Li Shufu, chairman do Zhejiang Geely Holding Group Co. Ltd
Fazer da Lotus uma marca de luxo global e… rival da Porsche?
Quanto aos objetivos já definidos para a marca britânica, o empresário garantiu, em declarações à agencia noticiosa Bloomberg, “o compromisso total de voltar a posicionar a Lotus Cars como uma marca de luxo global” — luxo no sentido de posicionamento da marca, não uma característica diretamente relacionada com os seus modelos, tipo de classificação que podemos encontrar, por exemplo, na Ferrari. Com os rumores a apontarem a alemã Porsche como o rival “a abater”.
No que toca a novos produtos, o mais controverso é mesmo o SUV, com apresentação prevista para 2020, que herdará da Volvo grande parte da sua tecnologia. Ao que tudo indica, este inédito Lotus, será comercializado inicialmente, apenas na China.
De mais interesse para os entusiastas é um anunciado desportivo, posicionado acima do Evora, uma espécie de Lotus Esprit para os dias de hoje. E claro, um sucessor para o Elise, lançado no distante ano de 1996, e que deverá subir de posicionamento, tanto em preço como performance.
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