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Metas de emissões. As soluções da indústria para evitar uma crise

As metas de emissões da União Europeia exigem que os fabricantes acelerem a venda de elétricos, mas a procura está muito abaixo do esperado.

Volkswagen Golf R 333 sistema de escape
© Volkswagen

A transição para os automóveis elétricos tem sido um «bicho de sete cabeças» para os fabricantes, com as vendas a ficarem abaixo das expetativas, o que por sua vez coloca em causa o cumprimento das metas de emissões definidas pela União Europeia (UE).

Relembramos que o incumprimento incorre em penalizações muito elevadas — 95 euros por grama e por carro acima do estipulado —, com a Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) a considerar esse custo desproporcionado. As multas poderão totalizar 16 mil milhões de euros, diz a associação.

Está instalado um cenário de instabilidade e é impossível não considerar outras ameaças: concorrência agressiva vinda da China, alterações geopolíticas e uma «guerra» comercial à escala global.

Evolução do mercado de elétrico na UE
© ACEA Em 2024, apenas 13,6% dos automóveis vendidos na UE eram elétricos, um valor bem abaixo dos 20-25% necessários para cumprir as metas de emissões, de acordo com os construtores.

Face a este cenário, a ACEA propõe duas soluções, numa abordagem mais flexível, que ajudaria a indústria a cumprir os objetivos climáticos sem comprometer a sua sobrevivência e competitividade. A ACEA diz que, com as regras em vigor, tal como estão, são inviáveis.

Estas soluções fazem parte do diálogo entre a Comissão Europeia (CE) e vários representantes da indústria, para delinear um Plano de Ação para salvar a indústria automóvel europeia. As medidas que vão fazer parte desse plano serão conhecidas a 5 de março.

O que a ACEA propõe?

A ACEA não discorda das metas de emissões da UE, mas o que propõe é uma forma distinta de as aplicar:

  • Faseamento das metas: Em vez de se exigir o cumprimento total das novas metas já este ano, a associação sugere uma abordagem progressiva. Cumprir 90% das metas em 2025, 95% em 2026 e só em 2027 passar para 100%;
  • Conformidade multianual (2025-2029): Em vez de metas fixas anuais, a ACEA propõe um cálculo médio das emissões ao longo de cinco anos. Isto significa que, se um fabricante vender menos elétricos num ano, poderá compensar com melhores resultados nos anos seguintes.

Com a primeira solução, o objetivo é proporcionar mais tempo para o mercado de elétricos crescer, evitando medidas drásticas como cortes na produção de carros a combustão ou a venda forçada de elétricos abaixo do preço de custo.

Relativamente à segunda solução, o objetivo seria evitar discussões apressadas e permitir que a indústria faça uma transição para a eletrificação mais estável e sustentável.

Vale tudo para cumprir metas

Além do potencial pagamento de multas avultadas, para cumprir as metas das emissões, os construtores estão a colocar em prática outras soluções, como limitar a produção de carros a combustão e aumentar os descontos sobre os elétricos. Uma das consequências é a possibilidade de despedimentos.

Outra solução que está a ser posta em prática pelos construtores é o de se agruparem em emission pools. Só que apesar de poderem reduzir o impacto das multas, podem resultar em perdas financeiras para os construtores. Perceba no que isto consiste e o que está em causa:

Fonte: ACEA

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