Jean-Dominique Senard, Presidente do Conselho de Administração da Renault, durante a apresentação do plano de redução dos custos do Grupo Renault respondeu desta forma à pergunta sobre o futuro da Alpine:
“Claramente, a Alpine é uma bela marca e temos de olhar de forma muito, muito séria para o futuro desta marca para perceber como poderá trazer valor acrescentado para o grupo”.
Palavras que não deixam no ar boas perspetivas para o futuro da pequena marca gaulesa, para mais quando vemos no plano de redução de custos uma alínea sobre o futuro de Dieppe, local onde os Alpine são produzidos: “Reflexão aberta sobre a reconversão da fábrica de Dieppe aquando do término da produção do Alpine A110.”
VÊ TAMBÉM: Futuro da Mitsubishi na Europa em risco?Tendo em consideração as dificuldades que o grupo francês tem conhecido e agora o ter (também) de lidar com os efeitos da pandemia, será que veremos um fim prematuro para a Alpine, após o seu ressurgimento em 2017?
O plano de redução dos custos do Grupo Renault já estava previsto bem antes do Covid-19. No entanto, os efeitos da pandemia não só colocam urgência acrescida na aplicação das medidas anunciadas, como também colocam sob escrutínio adicional todas as áreas de negócio do grupo para garantir a sua viabilidade futura, onde se inclui a Alpine.
Dieppe tem sido a casa da Alpine e da Renault Sport, mas após o fim de produção do Renault Clio R.S. (geração IV) que, ao que tudo indica, não terá um sucessor, apenas o A110 é por lá produzido — o Mégane R.S. é produzido com os outros Mégane, em Palencia, Espanha. Como Senard declara sobre Dieppe:
“Esta fábrica não fabrica veículos suficientes para discutirmos o seu futuro serenamente. Iremos continuar à procura em adicionar valor à fábrica de Dieppe.”
A viabilidade de Dieppe está, de momento, comprometida e com ela também a sobrevivência da Alpine.
Futuro da Alpine. Luca de Meo, a esperança?
A decisão final sobre o futuro da Alpine caberá, no entanto, a Luca de Meo, o novo CEO da Renault, que entrará em funções no próximo dia 1 de julho.
Se o plano agora apresentado está focado apenas e só na redução dos custos, será Luca de Meo quem definirá a visão estratégica para o futuro de todo o Grupo Renault e das suas marcas, onde se inclui a Alpine.
Recordamos que foi Luca de Meo o responsável não só por colocar a SEAT novamente no caminho dos lucros, como foi o arquiteto por detrás da criação da CUPRA como marca, separando-a da SEAT — os resultados (sobretudo comerciais), para já, têm sido promissores.
Usar a CUPRA também como porta-estandarte da eletrificação da marca espanhola resulta também numa vantagem, pois o posicionamento mais elevado da CUPRA permite valores mais elevados, logo mais capazes de absorver os custos da tecnologia elétrica.
Poderia de Meo na Renault aplicar estratégia similar à Alpine, partilhando mais plataformas e mecânicas com outros modelos de Renault?
Vimos recentemente, e nesse sentido, Ali Kassai, diretor de produto e programas do Grupo Renault, em declarações à L’Argus, afirmar que a Alpine teria um SUV 100% elétrico com a mesma plataforma da Aliança dedicada a modelos elétricos, a CMF EV.
Poderá ser este o futuro da Alpine?
VÊ TAMBÉM: Como a Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi irá cooperar no futuroSabe esta resposta?
Em que ano surgiu o primeiro Renault 5 Turbo?
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Renault 5 Turbo celebra 40 anos. A história (quase) completaParabéns, acertou!
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Plano de redução de custos da Renault põe futuro da Alpine em risco?
O plano de redução de custos do Grupo Renault deixa no ar perguntas para as quais, provavelmente, não queremos saber a resposta: qual o futuro da Alpine?
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