O Grupo Volkswagen está a considerar encerrar pelo menos três fábricas na Alemanha e reduzir permanentemente o tamanho de outras. Em jogo, está o futuro de dezenas de milhares de trabalhadores.
A informação foi avançada pela líder da comissão de trabalhadores da Volkswagen, Daniela Cavallo, e reforçou que “a administração está determinada” nesse sentido.
Até agora, não se sabe que fábricas serão afetadas, nem o número exato de trabalhadores que podem ser dispensados. Atualmente, na Alemanha, o grupo alemão conta com 300 mil trabalhadores.
O grupo alemão tem sido vocal na necessidade de reduzir substancialmente os custos — objetivo é de cortar custos em quatro mil milhões de euros — para recuperar a competitividade e enfrentar os vários problemas com que se depara. Estes vão desde os altos custos de energia e trabalho, à concorrência agressiva oriunda da Ásia, passando pela diminuição da procura.
Thomas Schäfer, diretor-executivo da Volkswagen (marca), acentua parte do problema ao afirmar que as fábricas alemãs têm uma produtividade insuficiente. Os custos operacionais são 25% a 50% acima do esperado. Algumas fábricas são duas vezes mais caras de operar que as dos concorrentes.
Continua dizendo que “não estamos a ganhar atualmente dinheiro suficiente com os nossos carros. Ao mesmo tempo, os nossos custos de energia, materiais e de pessoal têm continuado a subir. Estas contas não vão funcionar a longo prazo”.
Daniela Cavallo está alinhada com a administração no que respeita aos problemas, que também afetam outros construtores europeus, mas não em relação às soluções. O que tem agravado as tensões entre as duas partes nas negociações salariais que estão a decorrer.
Há solução?
Após uma primeira reunião em que não houve acordo, foi marcada uma segunda reunião para o dia de 30 de outubro.
O Grupo Volkswagen insiste na necessidade de uma restruturação e vai propor várias medidas para reduzir os custos. Além do encerramento de três fábricas na Alemanha, a administração propõe reduzir os salários em 10% e o congelamento destes durante dois anos. Também propõe limitar vários tipos de bónus.
“A situação é séria e a responsabilidade das partes envolvidas é gigante. Sem medidas abrangentes para reganhar competitividade, não vamos conseguir suportar os investimentos que vão ser necessários no futuro.”
Gunnar Kilian, Membro do quadro do Grupo Volkswagen
Reação dos trabalhadores
Desde o início das discussões, a Comissão de Trabalhadores tem sido incansável nas suas reivindicações.
À luz destes últimos desenvolvimentos, o sindicato de trabalhadores ameaçou com greves para dezembro, motivados pelos propostos cortes e congelamentos salariais. No entanto, nesta segunda-feira, os protestos dos trabalhadores já se fizeram sentir, ao interromper a produção em 11 fábricas na Alemanha.
Fonte: Reuters
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Grupo Volkswagen está a considerar fechar três fábricas
Cresce a tensão entre o Grupo Volkswagen e a comissão de trabalhadores, com a possibilidade de fechar fábricas na Alemanha e cortes salariais.
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