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Quanto ganham as marcas de automóveis por cada carro vendido?

Com base nos resultados financeiros e de vendas, ficamos a saber quais as marcas que mais lucro geram por carro vendido, assim como as que mais prejuízo têm.

Porsche 911 sobre uma pilha de dinheiro
© gerado por IA / Razão Automóvel

Em 2024, a indústria automóvel vendeu cerca de 73 milhões de automóveis a nível global. Um volume de vendas que equivalem a 2,38 biliões de euros.

Isto traduz-se num valor médio de 32 548 euros de receita por unidade vendida. Contudo, este número diz pouco sobre a rentabilidade de cada marca.

Para compreender isso, é preciso olhar para o lucro operacional por carro entregue, um indicador que revela o verdadeiro desempenho financeiro de cada fabricante. Foi precisamente isso que os nossos colegas da Motor1 Itália fizeram. Um resumo da rentabilidade de cada marca com base nos relatórios financeiros de 2024.

Ferrari 12Cilindri - 3/4 de frente
© Ferrari A Ferrari é o construtor que mais margem gera por carro vendido.

Entre as 30 maiores marcas automóveis analisadas, a diferença entre as mais e menos lucrativas por unidade é abissal. De um lado, marcas como a Ferrari conseguem obter margens superiores a 28%, com lucros de mais de 130 mil euros por veículo. Do outro, marcas como a XPeng, NIO e Lucid, que perdem dinheiro sempre que um dos seus carros sai da linha de produção.

A nível mundial, este é o TOP 30. Com a Ferrari, Porsche e Mercedes-Benz a liderarem a tabela:

PosiçãoMarcaMargem 2024 (€)Margem 2023 (€)
1Ferrari136 671 €117 927 €
2Porsche18 142 €22 747 €
3Mercedes-Benz5692 €7890 €
4BMW4693 €7229 €
5Tesla3801 €4448 €
6Subaru3031 €2987 €
7Toyota2710 €2787 €
8General Motors2622 €1697 €
9Isuzu2610 €2826 €
10Volvo2547 €2526 €
11Hyundai Motor Group2432 €2557 €
12Honda2324 €1806 €
13Grupo Volkswagen2111 €2438 €
14Li Auto1846 €2513 €
15Jaguar Land Rover1794 €1066 €
16BYD1556 €1604 €
17Renault1137 €1113 €
18Suzuki1128 €898 €
19Ford1122 €1119 €
20Mitsubishi971 €1601 €
21Mazda951 €1200 €
22Stellantis656 €3627 €
23Nissan282 €1076 €
24Great Wall (GWM)188 €118 €
25Leapmotor-1421 €-3874 €
26XPeng-4612 €-9811 €
27NIO-14 313 €-18 060 €
28Aston Martin-18 491 €-19 358 €
29Rivian-87 363 €-103 611 €
30Lucid-283 468 €-467 388 €

Quem perdeu mais?

Entre os fabricantes com maiores perdas relativas, a Stellantis merece destaque. Em 2023, o grupo (dono de marcas como Peugeot, FIAT, Citroën, Opel e Jeep) apresentava uma margem operacional de 11,81%. Um ano depois, esse valor caiu para apenas 2,35%. Esta queda de quase 10 pontos percentuais resultou numa diminuição drástica do lucro por unidade.

DS 3, Fiat 500 e Citroën C4
© Stellantis A Stellantis teve um 2024 para esquecer, tendo perdido quase 3000 euros de ganhos por carro.

Com uma margem de apenas 1,22%, a Nissan é hoje uma das marcas com menor capacidade de gerar lucros com a venda de automóveis. A situação da Great Wall, uma das maiores fabricantes chinesas, é ainda mais frágil: com apenas 0,87% de margem operacional, qualquer oscilação no mercado pode traduzir-se diretamente em perdas líquidas.

A Ford, com uma margem de 2,82%, também está entre as cinco marcas menos rentáveis. Apesar da sua dimensão global, a empresa tem sentido o impacto da reestruturação na Europa, do investimento na eletrificação e dos custos crescentes com matérias-primas e mão de obra.

As marcas que estão no vermelho

No extremo oposto das marcas altamente lucrativas como a Ferrari ou a Porsche, encontra-se um grupo de fabricantes que perdem dinheiro com cada unidade entregue.

No caso da Lucid, o prejuízo por unidade ultrapassa os 283 mil euros, um valor que seria insustentável sem fortes apoios de investidores e financiamento externo. Já a Rivian, apoiada por grandes grupos como a Amazon e outras parcerias recentes, como a que fez com o Grupo Volkswagen, perde em média mais de 87 mil euros por veículo entregue.

A Leapmotor, uma das novas fabricantes chinesas, apresenta perdas mais moderadas (–1421 euros por unidade), mas continua longe da rentabilidade.

Já a presença da Aston Martin nesta lista é um lembrete de que a exclusividade não garante lucro. Apesar de vender modelos de luxo com preços elevados, a marca britânica não consegue gerar margens positivas por unidade, acumulando perdas superiores a 18 mil euros por carro.

Perdas estruturais, não conjunturais

Mesmo marcas com maior maturidade, como a NIO e a XPeng, ainda não conseguiram equilibrar os custos fixos (investimento em I&D, infraestruturas, rede de carregamento) com a receita obtida por cada viatura.

Nio ET5 de frente em andamento
© NIO A NIO ainda não saiu do vermelho.

Estas empresas que estão no fundo da tabela — Leapmotor, XPeng, NIO, etc. — estão a apostar numa lógica de crescimento rápido, baseada na premissa de que as perdas atuais são o preço a pagar pela escala futura. Contudo, num contexto de maior exigência por parte dos mercados financeiros e de acesso ao crédito mais caro, o tempo para alcançar a rentabilidade é cada vez menor.