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As reações às tarifas de Trump de 25% para automóveis importados

As reações não se fizeram esperar à ordem-executiva de Donald Trump, presidente dos EUA, que impõe tarifas de 25% à importação de automóveis.

Donald Trump
© Facebook Donald Trump

A ameaça já vinha de trás e agora foi cumprida. Donald Trump, o presidente do Estados Unidos da América (EUA), assinou ontem uma ordem executiva que impõe tarifas a todos os automóveis e componentes importados para o país.

A nova tarifa de 25% vai entrar em vigor no próximo dia 3 de abril para os automóveis importados, enquanto para certos componentes automóveis — motores, transmissões e outros componentes da cadeia cinemática e elétricos — entrará em vigor a 3 de maio.

O objetivo das tarifas é, segundo a Casa Branca, de reforçar a produção doméstica de automóveis e incentivar os construtores a transferirem para os EUA a produção de veículos.

Donald J. Trump
© Donald Trump (facebook) Donald Trump, presidente dos EUA.

Contudo, os líderes da indústria e analistas alertam que tarifas tão abrangentes como estas podem ter o efeito contrário, como cortes na produção em território norte-americano e levar ao aumento de preço dos automóveis em vários milhares de dólares.

Isto porque mesmo os automóveis que são produzidos nos EUA também recorrem a componentes fabricados no resto do mundo, sendo igualmente afetados pelas novas tarifas aduaneiras.

“Isto vai continuar a gerar crescimento como nunca antes visto.”

Donald Trump, presidente dos EUA

Os componentes que estejam em conformidade com o acordo comercial USMCA (acordo entre EUA, Canadá e México) não serão, por enquanto, afetados pelas novas tarifas. Mas poderão sê-lo no futuro, assim que o Departamento do Comércio dos EUA estabeleça um processo para o conteúdo não-americano desses mesmos componentes.

UE e Canadá contra tarifas automóveis

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reagiu pouco tempo depois ao anúncio das tarifas de 25% para automóveis importados por parte da Casa Branca. Em comunicado, von der Leyen disse lamentar a decisão dos EUA.

“Como já disse antes, tarifas são taxas — más para os negócios, piores para os consumidores igualmente nos EUA e na União Europeia.”

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia

Avançou ainda que a Comissão vai agora avaliar o impacto deste anúncio e que a União Europeia vai continuar a “procurar negociar soluções, ao mesmo tempo que protege os seus interesses económicos”. A presidente da Comissão Europeia disse ainda que os 27 Estados-membros vão, juntos, “continuar a proteger os nossos trabalhadores, negócios e consumidores”.

O Canadá, vizinho dos EUA, foi mais contundente na crítica às tarifas automóveis, na voz de Mark Carney, o primeiro-ministro: “É um ataque direto”. Disse ainda que esta decisão é injustificada e que precisa de ver em mais pormenor a ordem-executiva assinada por Trump antes de tomar medidas retaliatórias. 

O primeiro-ministro canadiano, que tomou posse apenas a 14 de março, referiu também que a indústria automóvel no país representa 125 mil postos de trabalho diretos e 500 mil indiretos, tendo já agendado com Trump uma reunião telefónica.

O que diz a indústria automóvel europeia?

A ACEA (Associação Europeia de Fabricantes Automóveis) também já reagiu em comunicado e diz estar “profundamente preocupada” com as tarifas automóveis anunciadas por Donald Trump.

“Os fabricantes europeus têm investido nos EUA há décadas, criando empregos, impulsionando o crescimento da economia nas comunidades locais e gerando receitas fiscais maciças para o governo norte-americano.”

Sigrid de Vries, diretor geral da ACEA

Sigrid de Vries, diretor geral da ACEA, lança um apelo ao presidente Trump, que “considere o impacto negativo das tarifas não apenas nos construtores globais como na produção doméstica americana também”.

frente X3 2024
© BMW O BMW X3 é produzido nos EUA, na fábrica de Spartanburg, um de vários modelos exportados dos EUA para a Europa.

A ACEA realça ainda que os construtores europeus exportam entre 50% e 60% dos veículos que produzem nos EUA, o que contribui positivamente para a balança comercial norte-americana, como se pode ler no comunicado.

“A UE e os EUA têm de dialogar para encontrar uma resolução imediata para evitar as tarifas e as consequências danosas de uma guerra comercial”.

Comunicado ACEA

Sindicatos favoráveis

Em sentido oposto às críticas generalizadas às tarifas dos EUA para a importação de automóveis, está a UAW (United Auto Workers), o sindicato norte-americano com maior representação na indústria automóvel norte-americana.

“É uma vitória para os trabalhadores na indústria”, avançaram em comunicado, afirmando que esta vitória vai terminar um “modelo económico prejudicial”.

“Aplaudimos a administração Trump por tomar medidas para acabar com o desastre do comércio livre que tem devastado as comunidades da classe trabalhadora durante décadas. A administração Trump fez história com as ações de hoje.”

Shawn Fain, presidente da UAW

A UAW foi mais longe e, num recado direcionado aos construtores de automóveis, disse que estes deveriam absorver a totalidade dos custos adicionais das tarifas ao invés de passá-los aos clientes, e que apoiaria legislação que os obrigasse a isso.

Por fim, também alertou que “os trabalhadores devem ser protegidos de qualquer perturbação que acompanhe o processo de relocalização (industrial), com apoio financeiro do governo federal, se necessário”.

Atualizado às 12:30 — Foi adicionada a reação da ACEA