Mazda CX-60 3.3 e-Skyactiv D
O Diesel (ainda) não morreu. A Mazda que o diga, que estreou uma unidade de seis cilindros no CX-60
Prós
- Qualidade do interior
- Comportamento dinâmico
- Consumos
Contras
- Suspensão
- Motor pouco refinado
- Classe 2 nas portagens
Numa altura em que quase todas as marcas já anunciaram o fim dos motores de combustão, a Mazda surpreendeu tudo e todos e anunciou o CX-60 com uma família de motores de alta cilindrada e seis cilindros em linha.
Isto, só por si, daria uma notícia. Mas a Mazda quis ir mais além e apostar numa tecnologia que muitos consideram obsoleta na Europa: Diesel.
Os mais céticos diriam que esta é uma fórmula arriscada e sem futuro, mas a Mazda levou a sua avante e concretizou esta vontade, afirmando, pelo caminho, que não embarca em conversas de downsizing: a marca de Hiroshima prefere outra expressão, denominada right sizing.
E sejamos sinceros, a história centenária da Mazda está repleta de ideias «fora da caixa», a começar logo no famoso motor rotativo Wankel, que acaba de regressar ao ativo no MX-30.
Mas estamos aqui para falar do CX-60, mais concretamente da versão Diesel, que «aterrou» recentemente no nosso país. É certo que já tínhamos testado o maior SUV da Mazda na Europa por várias ocasiões, mas sempre na versão híbrida plug-in:
Agora segue-se este «super-Diesel», que terá que responder a uma questão fundamental: faz sentido existir ou trata-se de uma mera teimosia da Mazda? A resposta está nas próximas linhas.
Interior respeita ambição premium
O Mazda CX-60 tem ambições premium e elas fazem-se notar no exterior, mas também no interior, que nós já tínhamos elogiado quando testámos o SUV da marca japonesa pela primeira vez.
Não esperem, por isso, novamente uma análise profunda ao interior do CX-60. Até porque o Diogo Teixeira já fez um tour detalhado pelo interior deste SUV. Vejam o vídeo:
Ainda assim, posso voltar a dizer-vos que o CX-60 faz um excelente aproveitamento do espaço, seja nos bancos dianteiros ou nos traseiros, que são suficientes para acomodar três adultos de forma confortável. Numa proposta deste género continua a ser algo muito importante.
Por outro lado, a visibilidade para trás é muito reduzida. Felizmente temos uma câmara traseira que nos ajuda. O que não merece reparos é a posição de condução, tal como a Mazda nos tem habituado.
O que vale este Diesel em estrada?
Agora sim, falemos da estrela da companhia, o motor. Trata-se de uma unidade com seis cilindros em linha e 3,3 litros de capacidade. Por si só, é praticamente inédito estarmos a falar de uma unidade assim nos dias de hoje.
Um dos destaques deste novo e-Skyactiv D é o que a Mazda apelida de DCPCI (Distribution Controlled Partially Pre-Mixed Compression Ignition).
É um nome complexo, mas que traduz um processo de preparação da mistura gasóleo/ar mais homogénea, o que em teoria permite uma combustão a temperaturas mais baixas e, por isso, menores perdas térmicas.
Por outras palavras, é um processo que segundo a Mazda permite aumentar a eficiência da combustão e, assim, reduzir significativamente os consumos e as emissões.
Os argumentos desta cadeia cinemática não se ficam por aqui. A Mazda adicionou ainda um sistema mild-hybrid de 48 V (adiciona 17 cv e 153 Nm de binário) e estreia uma nova caixa automática de oito velocidades.
Dois níveis de potência
Explicada que está a parte mais complexa do funcionamento do e-Skyactiv D, é tempo de olhar para algo bem mais simples, a potência, que é «servida» em dois níveis distintos: 200 cv (versão de tração traseira) e 254 cv (versão de tração integral).
Números aparentemente algo «modestos» para o tamanho do motor, mas o nome do jogo aqui é eficiência e não performance pura.
Testei a menos potente, com 200 cv e 450 Nm, que permitem que este SUV acelere dos 0 aos 100 km/h em 8,4s e chegue aos 212 km/h de velocidade máxima.
Antes que perguntem, não, estes 200 cv de potência não se sentem «curtos». Sentimos sempre que temos potência suficiente e o motor Diesel mostra-se sempre muito «cheio», até porque o binário máximo é logo atingido às 1400 rpm.
E como se isso não fosse suficiente, nos arranques e nos regimes mais baixos, temos ainda o auxílio do motor elétrico do sistema mild-hybrid, que torna tudo mais imediato.
Esperava um motor mais refinado
A caixa de velocidades tem um funcionamento suave, apesar de não ser muito rápida, e o motor elétrico ajuda a que tudo funcione de forma suave.
Porém, dei por mim algumas vezes a reparar em vibrações a mais por parte do motor e a subidas de regime pouco refinadas. Nada que chegue a afetar a experiência ao volante deste SUV, mas estão lá.
Apesar disso, o CX-60 é um SUV agradável de conduzir e com comandos muito progressivos. Aqui, destaque para a direção, que (felizmente) não é demasiado assistida e comunica eficazmente tudo o que está a acontecer no eixo dianteiro.
Suspensão belisca o conforto
Quanto à suspensão, tem molas algo brandas que contrasta com o amortecimento que, por vezes, chega a ser demasiado forte, o que leva a sentir solavancos quando passamos por algumas irregularidade da estrada.
Não chega a ser desconfortável, mas esperava algo mais a este nível, até porque quando testei este Mazda CX-60 na versão híbrida plug-in não senti nada disto.
Por outro lado, não há rigorosamente nada a apontar do ponto de vista do conforto acústico: sejam ruídos mecânicos, de rolamento ou aerodinâmicos, nunca chegam a invadir o habitáculo, mesmo em autoestrada.
Dinâmica é interessante
Com um peso a roçar os 1900 kg, o CX-60 tem um porte considerável e isso sente-se nas curvas, quando as atacamos a uma velocidade mais elevada.
LEIAM TAMBÉM: Espace ou Austral XL? Já conduzimos o novo SUV de 7 lugares da RenaultPor muito bom que seja o trabalho de afinação do chassis e da suspensão, é difícil contrariar a física e as transferências de peso fazem-se sentir.
Mesmo assim, tenho que dizer que o Mazda CX-60 é uma proposta competente do ponto de vista dinâmico e consegue sempre manter-nos envolvidos na ação, sobretudo quando recorremos às patilhas no volante, que permitem intensificar a nossa ligação com o carro.
A direção e a entrada em curva não são muito precisas, mas é fácil fazer uma boa leitura de tudo o que está a acontecer. Raramente o Mazda CX-60 se mostra desequilibrado, revelando sempre uma atitude neutra e progressiva.
Para quem procura uma condução mais «viva», é bom saber que em curvas mais lentas, quando aceleramos de forma mais convicta (e com o ESC desligado, claro…), é fácil fazer deslizar a traseira, sempre de forma bastante controlada e previsível.
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Consumos são o maior trunfo
Teria de ser nos consumos que o CX-60 com este motor Diesel mais tinha a provar e a verdade é que não desiludiu.
Nas muitas centenas de quilómetros que fiz durante a semana em que o estive a testar, terminei com uma média em torno dos 6,2 l/100 km, o que acaba por ser um número muito interessante para um modelo com estas características.

Naturalmente, em cidade, é difícil ficar abaixo dos 6,5 l/100 km, mas em autoestrada consegui descer até aos 5,8 l/100 km, o que mostra bem que os Diesel continuam a ter uma palavra a dizer para quem faz muitos quilómetros mensais.
Para mais, vai de encontro à promessa da Mazda de ter um seis cilindros com consumos equivalentes a um quatro cilindros. E a promessa foi cumprida. Os valores que consegui não diferem dos que conseguimos com o mais pequeno CX-5 2.2 Skyactiv-D de 184 cv que testámos o ano passado.

Quanto custa?
É aqui que o Mazda CX-60 com este «super Diesel» começa a perder pontos, pelo menos para mim. O preço de entrada deste modelo é consideravelmente mais elevado do que o preço base do híbrido plug-in.
Para mais, o CX-60 PHEV é muito mais potente, com 327 cv, e tem performances mais entusiasmantes, e consegue fazer algumas dezenas de quilómetros em modo 100% elétrico
Nem sequer estamos perante valores de preço próximos. O Mazda CX-60 3.3 e-Skyactiv D com 200 cv começa nos 69 557 euros, ao passo que o CX-60 2.5 e-Skyactiv PHEV com 327 cv arranca nos 57 180 euros. Isto com o mesmo nível de equipamento.
É possível justificar os mais de 12 mil euros de diferença entre estas duas motorizações?
A meu ver não. Mas claro, é difícil dar-vos uma resposta definitiva, uma vez que é sempre possível enquadrar este Diesel numa gama de utilizações onde pode fazer sentido, sobretudo se só fizerem autoestrada.

O que nos leva à questão que deu o mote a este ensaio: faz sentido este Mazda CX-60 com um motor Diesel de 3.3 l existir ou trata-se de uma mera teimosia da Mazda?
Claro que faz sentido existir. E ainda bem que marcas como a Mazda continuam a não ter receio de tentar. Os consumos e a disponibilidade deste motor, só por si, chegam para justificar a sua existência.
Só que em Portugal, graças à nossa fiscalidade, fica difícil justificar a compra desta versão em detrimento da híbrida plug-in, que é muito mais potente e versátil.
Veredito
Mazda CX-60 3.3 e-Skyactiv D
O Mazda CX-60 3.3 e-Skyactiv D até pode ser uma questão de teimosia, mas ainda bem que a Mazda continua a pensar fora da caixa. Infelizmente, em Portugal, a fiscalidade faz com que seja difícil justificar a compra desta versão sem antes olhar para a híbrida plug-in, que é mais potente e muito mais barata.
Prós
- Qualidade do interior
- Comportamento dinâmico
- Consumos
Contras
- Suspensão
- Motor pouco refinado
- Classe 2 nas portagens
Especificações Técnicas
Versão base:69.572€
IUC: 628€
Classificação Euro NCAP:
78.159€
Preço unidade ensaiada
- Arquitectura:6 cilindros em linha + motor elétrico (17 cv)
- Capacidade: 3283 cm³
- Posição:Dianteira longitudinal
- Carregamento: Injeção direta common-rail + Turbo de Geometria Variável + Intercooler
- Distribuição: 2 a.c.c., 4 válv./cil. (24 válv.)
- Potência: 200 cv entre 3000-4200 rpm
- Binário: 450 Nm entre 1400-3000 rpm
- Tracção: Traseira
- Caixa de velocidades: Automática de 8 velocidades
- Comprimento: 4745 mm
- Largura: 1890 mm
- Altura: 1680 mm
- Distância entre os eixos: 2870 mm
- Bagageira: 570-1726 litros
- Jantes / Pneus: 235/50 R20
- Peso: 1907 kg
- Média de consumo: 5 l/100 km
- Emissões CO2: 129 g/km
- Velocidade máxima: 212 km/h
- Aceleração máxima: >8,4s
- Sistema de som com 8 altifalantes
- Ar condicionado automático
- Cruise Control
- Sensor de chuva e luminosidade
- TPMS – Sistema Monitorização de pressão dos pneus
- Sensores de estacionamento (traseiros e dianteiros)
- Câmara traseira
- Retrovisores exteriores aquecidos e com recolhimento automático
- Volante Aquecido
- Bancos dianteiros aquecidos
- Hill Hold Assist (Assistente de Arranque em Subida)
- Sistema de reconhecimento de sinais de trânsito (TSR)
- SBS Frontal (Smart Brake Support) c/ deteção de peões
- Sistema de alerta de ângulo morto
- Sistema de permanência na faixa
- Sistema de head-up display
- Volante e manípulo caixa de velocidades em pele
- Apple CarPlay / Android Auto sem fios
- Ecrã Central de 12,3″” TFT a cores e com comandos de voz
- Descongelador do limpa-para-brisas
- Jantes de Liga Leve 20″ Pretas com corte (235/50 R20)
Tem:
Pintura Platinum Quartz — 750 €
Comfort Pack (Homura) — 1700 €
Drive Assistance Pack — 1650 €
Convenience & Sound Pack — 2900 €
Teto de Abrir Panorâmico — 1350 €.
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Mazda CX-60 com «super Diesel». Aposta certa ou só uma teimosia?
Na era dos híbridos e dos elétricos, a Mazda acaba de lançar um novo Diesel. Faz sentido? Testámos o novo Mazda CX-60 3.3 e-Skyactiv D.
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