Polestar 2 Long Range Single Motor
Sempre que conduzo o Polestar 2 tenho alguma dificuldade em perceber o motivo porque não é mais bem sucedido. Agora, mais que nunca, qualidades não lhe faltam.
Prós
- Imagem futurista
- Interior premium
- Facilidade de condução
Contras
- Suspensão firme
- Posição de condução
A Polestar não lhe quer chamar renovação, porque já afirmou que não «embarca» nas habituais atualizações de meio ciclo de vida, mas o que é certo é que para este ano (e o próximo) o Polestar 2 mudou e ganhou novos argumentos.
Num segmento dominado pelo Tesla Model 3, não é fácil fazer parte da concorrência. O Polestar 2 está agora mais preparado do que nunca para essa «batalha», com mais nomes de peso ao barulho, a começar logo no BMW i4, sem nunca esquecer o BYD Seal.
Por fora, não é fácil apontar as diferenças, que se resumem apenas a algumas modificações na dianteira (onde costuma estar a grelha).
Não se deixem enganar por esse detalhe. O Polestar 2 2024 recebeu alterações significativas onde não as vemos, suficientes para o vermos como uma proposta totalmente renovada. Basta ver que tem novos motores elétricos, novos inversores e novas baterias.
No caso da versão Long Range Single motor (um motor) que testámos, o motor elétrico até mudou de sítio: deixou de estar montado na dianteira e passou a estar posicionado sobre o eixo posterior. Sim, este Polestar 2 passou de tração dianteira a tração traseira.
Com todas estas modificações, a gama do Polestar 2 ficou estruturada da seguinte forma:
- Standard range Single motor — 1 motor (tr. traseira); 200 kW (272 cv) e 490 Nm; bateria 70 kWh;
- Long range Single motor — 1 motor (tr. traseira); 220 kW (299 cv) e 490 Nm; bateria 82 kWh;
- Long range Dual motor — 2 motores (tr. integral); 310 kW (421 cv) e 740 Nm; bateria 82 kWh;
- Long range Dual motor Performance Pack — 2 motores (tr. integral); 350 kW (476 cv) e 740 Nm; bateria 82 kWh;
Autonomia é chave
Curiosamente (ou não), a versão que testei (Long range Single motor) é aquela que acho fazer mais sentido. Tem potência na dose certa e oferece a maior autonomia da gama: até 659 km (ciclo WLTP).
E como nós muito bem sabemos, a autonomia ainda dita um papel importante na escolha de um 100% elétrico. Apesar de não concordar integralmente com isso (só isto dava todo um artigo…), mas reconheço o peso deste fator.
A esse nível, o Polestar 2 passou a estar num lugar de destaque perante a concorrência. O BMW i4 equivalente (i4 eDrive40 Gran Coupé) reclama até 589 km (WLTP) de autonomia e o Tesla Model 3 RWD reivindica até 513 km (WLTP). O BYD Seal (RWD) anuncia até 570 km de autonomia (WLTP).
E os consumos?
Durante os dias que passei com o 2, fiz uma média final de 16,9 kWh/100 km, em percursos mistos, divididos, quase pela metade, entre ambientes mais urbanos e autoestradas.
A este ritmo, e se tivermos em conta a capacidade da bateria, é possível fazer cerca de 467 km com apenas uma carga. É um número bastante simpático, ainda que algo distante das cifras anunciadas pela marca.
Contudo, nos trajetos que fiz apenas em cidade, consegui baixar os consumos para perto dos 14,5 kWh/100 km. Nesse tipo de registo, posso dizer-vos que é relativamente fácil «arrancar» mais de 500 km entre carregamentos.
Por falar em carregamentos, há outra boa notícia:o Polestar 2 2024 também carrega mais rápido. Em corrente alternada (AC), todas as versões estão limitadas aos 11 kW. Mas em corrente contínua (DC) a variante com a bateria mais pequena (70 kWh) suporta cargas de até 135 kW, mas com a bateria maior (82 kWh) admite velocidades de até 205 kW.
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Dinâmica apurada
Que o Polestar 2 evoluiu no que toca à autonomia, consumos e carregamentos, não há qualquer dúvida acerca disso. Falta agora saber como é que o seu comportamento dinâmico, que já era muito competente, foi afetado pelo reposicionamento do motor elétrico.
Apesar de este não ser o Polestar 2 com o tratamento mais desportivo, as primeiras impressões é de que mantém a solidez que o caracterizava.
Só que agora, com o motor colocado atrás, o Polestar 2 tem mais tração à saída das curvas e há uma maior sensação de agilidade. E apesar de este ser «apenas» o segundo nível de potência da gama (299 cv), nunca nos deixa a ansiar por mais.
É certo que o sprint dos 0 aos 100 km/h em 6,2s não é tão impressionante quanto noutras propostas rivais, mas a aceleração acontece de forma muito progressiva e isso torna a condução mais desportiva agradável.
A NÃO PERDER: Pensem duas vezes antes de comprar o Tesla Model 3 PerformanceTal como antes da atualização, a suspensão é algo firme, mais do que, por exemplo, a do BYD Seal. E isso sente-se quando passamos em pisos em pior estado ou numa zona de calçada. Contudo, não chega para beliscar a qualidade da experiência a bordo nem chega para que nos surpreenda com reações mais bruscas e difíceis de controlar.
Quanto à direção, pode assumir várias afinações distintas, mas à medida que a «obrigamos» a ser mais pesada, ela vai ganhando um tato mais artificial. Por isso mesmo, dei por mim a usar quase sempre a configuração normal, que é a mais agradável e a mais comunicativa.
Os travões também mostraram ser muito competentes, mesmo quando subimos o ritmo. Porém, a travagem regenerativa achei ser algo intensa, exigindo habituação. Como acontece com mais elétricos, o Polestar 2 permite conduzir apenas com o pedal do acelerador.
Vamos a contas…
O renovado Polestar 2 está disponível no mercado português com preços que começam nos 52 400 euros para a versão Standard range Single motor, e vai até aos 65 900 euros do Long range Dual motor com Performance Pack.
A motorização Long range Single motor, que protagoniza este ensaio, surge a meio caminho e inicia-se nos 55 900 euros, já com um nível de equipamento de série muito interessante.
Ainda para mais, na altura em que este ensaio está a ser publicado, a Polestar está com uma campanha em vigor onde oferece dois pacotes de equipamento importantes: Pack Pilot (reforça o leque de sistemas de ajuda à condução e de segurança) e Pack Plus (teto panorâmico em vidro, luzes de nevoeiro LED com função de curva, iluminação ambiente interior, bancos dianteiros elétricos e bagageira elétrica).
Mas vamos a contas. Como se posiciona o Polestar 2 perante a principal concorrência? O Model 3 equivalente (RWD com 283 cv) é 14 410 euros mais barato. Porém, oferece ligeiramente menos potência e bastante menos autonomia.
Já quando a comparação é com o BYD Seal com apenas um motor (313 cv) e bateria de 83 kWh, a diferença é de 8905 euros a favor do modelo chinês, que anuncia uma autonomia de 570 km.
LEIAM TAMBÉM: BMW i4 eDrive40 é capaz de «bater o pé» ao Tesla Model 3?Por último, quando colocamos este Polestar 2 frente a frente com um rival de uma marca premium, o BWM i4 eDrive40, o modelo sueco surge na frente, com uma vantagem de 8850 euros.
Dito isto, e tendo em conta aquilo que o Polestar 2 oferece em termos de autonomia e performances, não sinto que o preço seja exagerado. É certo que a diferença para o Tesla Model 3 e para o BYD Seal obriga a fazer contas, mas a Polestar assume-se como uma marca premium e basta olhar para o habitáculo deste elétrico para o perceber.
O interior pode não ser o mais espaçoso do segmento, longe disso, mas está muito bem acabado e com materiais de qualidade. Ainda que reconheça que por esta altura, algumas soluções do habitáculo já pareçam algo datadas.
O que falta ao Polestar 2?
O Polestar 2 apareceu com estrondo, mas parece ter caído muito rapidamente no esquecimento. E sempre que o conduzo, tenho alguma dificuldade em perceber o motivo. Ainda para mais agora, com esta atualização e versão.
É um elétrico bem construído, com uma imagem verdadeiramente premium e distinto num mar de propostas que esteticamente parecem ser cada vez mais anónimos. É agradável de conduzir e mais acutilante que a média e agora oferece uma autonomia muito decente.
No papel, parece ter os ingredientes necessários para ser uma fórmula de sucesso. Contudo, no chamado mundo real, o Polestar 2 teima em não pegar.
Até porque os números não mentem. Em 2023, foram vendidos 54 600 Polestar 2 em todo o mundo. No mesmo período, a BMW vendeu 83 000 unidades do i4, a BYD vendeu 127 323 exemplares do Seal e a Tesla vendeu 529 287 Model 3.
Será que se o Polestar 2 fosse um Volvo venderia mais? Nunca saberemos a resposta. Mas uma coisa é certa: quem comprar este elétrico, não vai ficar desiludido.
Veredito
Polestar 2 Long Range Single Motor
O Polestar 2 evoluiu no caminho certo e ficou mais interessante e mais competitivo. É um elétrico agradável à vista e aos sentidos, sobretudo para quem o conduz. Continua a ter um «problema» chamado Tesla Model 3, que é consideravelmente mais barato. Mas quando o comparamos com um rival premium, como é o BMW i4, o preço é competitivo face ao que tem para colocar em cima da mesa.
Prós
- Imagem futurista
- Interior premium
- Facilidade de condução
Contras
- Suspensão firme
- Posição de condução
Especificações Técnicas
Versão base:55.900€
Classificação Euro NCAP:
60.100€
Preço unidade ensaiada
- Arquitectura:1 motor elétrico
- Posição:Traseira transversal
- Carregamento: Bateria de iões de lítio com 82 kWh
- Potência: 220 kW (299 cv)
- Binário: 490 Nm
- Tracção: Traseira
- Caixa de velocidades: Relação única fixa
- Comprimento: 4606 mm
- Largura: 1859 mm
- Altura: 1479 mm
- Distância entre os eixos: 2735 mm
- Bagageira: 407 litros-1047 litros + 41 litros (frunk)
- Jantes / Pneus: 245/45 R19
- Peso: 2084 kg
- Média de consumo: 14,8 kWh/100 km
- Velocidade máxima: 205 km/h
- Aceleração máxima: >6,2s
- Espelhos retrovisores aquecidos, com comando elétrico e com recolha automática
- Faróis LED
- Sensor de chuva
- Puxadores das portas com bloqueio/desbloqueio tátil e com iluminação integrada
- Bancos dianteiros semielétricos com encostos mecânicos e apoio lombar ajustável elétrico de 4 vias
- Iluminação interior
- Banco traseiro bipartido 40/60 com abertura para esquis
- Alavanca de velocidades Polestar com símbolo retroiluminado
- Carregamento sem fios de 15 W na frente
- Quatro portas USB-C (2 à frente, 2 atrás)
- Painel de instrumentos digital com 12,3”
- Ecrã multimédia com 11,2”
- Sistema de som com 8 altifalantes e amplificador de 250 watts
- Atualizações Over-the-Air (OTA)
- Conectividade à Internet
- Apple CarPlay
- 12 sensores de estacionamento
- Quatro câmaras que permitem visualização de 360º
- Sistema de aviso de colisão noturna
- Lane Keeping Aid (Assistência de faixa de rodagem)
- Lane Departure Warning (Aviso de saída de faixa de rodagem)
- Run-off Road Mitigation (Proteção de despiste)
- Oncoming Lane Mitigation (Proteção da Faixa Contrária)
- Driver Alert Control
- Aviso de colisão traseira e mitigação de colisão
- Assistência ao estacionamento
- Road Sign Information (Informação de placas de trânsito)
- Blind Spot Information com assistência ao condutor
Tem:
Pintura exterior Snow — 300 euros
Pack Plus — 2900 euros
Pack Pilot — 1000 euros.
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