Microlino 2.0
Primeiras impressões
O Microlino 2.0 custa tanto como um Dacia Spring
Prós
- Design
- Facilidade de condução
- Resposta do motor
Contras
- Preço
- Falta de ESP e ABS
- Equipamento escasso
- Isolamento acústico
O Microlino 2.0, da Micro Mobility Solutions (MMS), é um daqueles projetos que tinha tudo para dar certo. Escrevo «tinha» porque há alguns obstáculos que este simpático quadriciclo elétrico poderá não conseguir superar.
O design é apaixonante, a performance é convincente, mas — há quase sempre um «mas», não é? — nem tudo são rosas.
Explico o porquê neste vídeo ao volante do Microlino 2.0. O primeiro teste em português no YouTube:
Demasiado minimalista
É quase impossível ficar indiferente ao Microlino 2.0. A inspiração no BMW Isetta é clara. Basta olhar para as suas formas e, sobretudo, para a forma como entramos no habitáculo.
Pensei que a entrada, pela porta da frente fosse acrobática, mas até é simples. Quanto ao interior, em termos de qualidade não decepciona. Mas há um problema: não temos praticamente nenhum equipamento.
Esqueçam o ar condicionado porque não tem. No seu lugar temos as tradicionais janelas e um ventilador para nos aquecer nos dias mais frios. Esqueçam também o sistema de infoentretenimento. Para ouvir música ou conduzir com recurso a navegação GPS têm de usar o vosso smartphone.
Tudo isto seria desculpável se o preço fosse mais simpático. Como é, por exemplo, no Citroën Ami. Mas sobre o preço falaremos adiante.
A não perder Conduzimos o Citroën Ami Buggy. Esgotou em apenas 17 minutosTenham calma… muita calma
Como expliquei no vídeo em destaque, o Microlino 2.0 é muito desenvolto em cidade. A parca potência do motor elétrico — 13 kW (17 cv) e 89 Nm — mexe este quadriciclo com convicção. Os 0-50 km/h cumprem-se em apenas cinco segundos. A velocidade máxima está limitada aos 90 km/h.
Acreditem, é suficiente. Está no limite do que a estrutura deste modelo consegue admitir. A esta velocidade o habitáculo é inundado por ruídos aerodinâmicos e pelo barulho do motor elétrico.
Em termos dinâmicos, o Microlino sente-se suficientemente estável. Contudo, não temos controlo de estabilidade (ESP) nem sistema de travagem com anti-bloqueio (ABS), o que é de lamentar. São sistemas que a baixa velocidade não sentimos falta, mas que fazem toda a diferença à medida que a velocidade aumenta.
Neste particular, o XEV Yoyo faz melhor. Um modelo que também já passou pela Razão Automóvel há poucos meses.
O grande problema do Microlino 2.0
O Microlino 2.0 é pequeno, mas tem um preço gigante. Uma unidade como nós testámos está disponível no mercado alemão por mais de 22 mil euros. Para Portugal ainda não há preço — nem é conhecida previsão de chegada.
É muito dinheiro face ao que este modelo oferece. Por este valor estamos no campeonato do Dacia Spring, que é um automóvel a «sério». Por «sério» entenda-se: é homologado como um automóvel e por isso pode andar em todo tipo de estradas, inclusivamente autoestradas e vias rápidas, algo que este Microlino não pode fazer.
Se o preço deste Microlino fosse mais baixo, e nas versões mais acessíveis (com bateria de 6 kWh) tivesse um valor nunca superior a 10 000 euros, podia ser um caso sério de vendas. Assim, será uma alternativa de mobilidade para muito poucos.
Veredito
Microlino 2.0
Primeiras impressões
Prós
- Design
- Facilidade de condução
- Resposta do motor
Contras
- Preço
- Falta de ESP e ABS
- Equipamento escasso
- Isolamento acústico
Sem comentários
Adorei conduzir o Microlino 2.0 mas o preço é absurdo
É muito fácil deixarmo-nos apaixonar pelo design do Microlino 2.0 e ficar convencidos pela sua performance, mas o preço deita tudo a perder.
Consulte, antes de comentar, a informação legal e os nossos termos e condições aqui
Este artigo ainda não tem comentários.
Seja o primeiro a partilhar uma opinião.